domingo, janeiro 14, 2007

João Bonsenso

Aproveitando-se a introdução do texto abaixo, algo que sempre faltou no Brasil foi bom senso. Lembro de um dos críticos do "pacote" da governadora Yeda rejeitado na Assembléia que disse: "um pacote desses, que tenta resolver o problema do Estado com aumento de impostos e corte de despesas, nós não vamos aceitar". 'Pera'í um pouquinho, quem foi que deu um microfone para esse cara?! Qual a solução, cara-pálida? É óbvio que o pacotaço era ruim, acho que pode-se fazer algo melhor pelo Estado, mas a governadora, deve-se reconhecer, apresentou um projeto equilibrado em que todos pagariam um pouco pela crise do Estado. A questão é que o problema do Brasil - e do RS - não é financeiro. Não falta dinheiro! Contudo, gasta-se - muito - mal e esmaga-se a sociedade desorganizada com leis e regras sufocantes e inúteis. Enfim, no Brasil queima-se florestas para assar porcos...

A questão do Brasil é cultural e, portanto, mais dificíl de ser resolvida. O Estado que os portugueses criaram aqui, mesmo após a Independência e a República, segue vivo. A estrutura não mudou. A Coroa sempre via-se como a raison d'étre da nação, ou seja, tudo deveria girar em torno dela, tudo deveria funcionar para ela e como ela quisesse. Nada mudou. Continuamos a trabalhar para o Estado, da forma como permite e deseja o Estado. A riqueza do Brasil confunde-se com a riqueza do Estado. O Brasil é um país de oportunidades dentro da estrutura estatal. Todos sonham com um emprego público e estabilidade. E, quando finalmente conseguem, querem receber cada vez mais pelo cargo que exercem.

Os do-lado-de-fora - eu já saí e entrei algumas vezes, agora sou um desses - sentem-se desamparados. Entretanto, ao invés de se atacar a raiuz do problema, exige-se maior intervenção d'os-de-dentro, como se fosse possível incluir a todos na mamata. Por exemplo, na última eleição, as reforma liberais foram pisoteadas, cuspidas, rasgadas sem que houvesse voz a defendê-las. Mas, mesmo que houvesse, sinto que elas mesmas são superficiais. Elas enfrentam as conseqüências. No mais, continuaríamos com essa mentalidade cartorária, burocrática e estatólatra que impede qualquer crescimento, seja social, econômico ou cultural.

O problema está tão abaixo do mar-de-lama que é difícil exergá-lo. Ao ler as notícias políticas brasileiras, inclusive as do caderno de economia dos jornais (!!), penso que todas elas são derivadas de um ponto comum. Dizem que "pau que nasce torto nunca se endireita". Parece, infelizmente, ser o nosso caso. O dia em que conseguirmos alcançar a raiz, creio que, envergonhadamente, acharemos graça do Brasil...

1 Comments:

Anonymous Marcos Cabral said...

Leia a entrevista de Armínio Fraga na Veja desta semana. Tão simples que até assusta. O problema é cultural. A "herança ibérica" como ele menciona.

17 janeiro, 2007 17:05  

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