A noite em que fui barrado
Eu já imaginava que as direções vendiam os ingressos contando com um percentual de sócios que viriam. Aí, vem a mais, e o estádio tem superlotação. Quando falo em "direções", penso também no Internacional. Afinal, houve problema semelhante na final da Sul-Americana do ano passado. Na quinta, como fecharam inclusive as cativas -algo como fechar o portão das perpétuas no Beira-Rio-, imaginei que o problema pudesse ter sido outro. Pela versão da Brigada, dada na sexta pelo comandante, parece que não. Mas isso seria só um dos fatores de quinta. E a versão do Grêmio caminha também nesse sentido.
O torcedor do Grêmio, como sempre, começou a entrar e se alojar nos lugares que mais lhe apraz. Há, evidentemente, portões mais populares que outros. Logo, setores da arquibancada e da social lotaram, mas não a arquibancada ou a social em si. A solução óbvia era fechar esses portões e conduzir os torcedores a outros, mas não. Fecharam as entradas sem nenhuma informação, nenhum encaminhamento. Claro que a massa se enervou e partiu para o confronto. Se tem ingresso, como vai ficar de fora? A BM, mal vista e mal paga, possivelmente já irritada com a confusão entre as torcidas, reagiu; pelo que a confusão se espalhou. Começou o "corre, corre" e as pessoas passaram a tentar entrar por qualquer lugar. Qual a brilhante solução adotada? O clássico bopeano ‘Não vai subir ninguém!’, e mandaram fechar tudo.
Ora, quem tinha direito de entrar e não pôde, se indignou e se uniu aos baderneiros -sempre há aqueles que só querem uma desculpa para criar confusão. Ficou impossível distinguir quem tinha razão e quem não tinha. Infelizmente, a única medida possível, quando a polícia se defronta com esse tipo de situação, é "dar pau" em todo mundo até as coisas acalmarem. O melhor a fazer é ir embora; exatamente o que fiz.
Nesse jogo de empurra-empurra de responsabilidades entre o clube e a Brigada, obviamente ninguém tem razão, mas o clube ainda menos. O torcedor e, principalmente, o sócio só precisam de respeito, nada mais. Afinal, os estádios são sujos, mal cuidados, desconfortáveis, com péssimo serviço, e o ingresso ainda é extremamente caro. Vale muito mais a pena ir ao cinema, jogar sinuca ou, simplesmente, ficar em casa. Os clubes não podem somente achar que o amor do trocedor é suficiente. Eles têm que dar algo em troca; caso contrário, quando realmente precisarem de apoio, não o terão.
O fato é que na quinta-feira ficou provado que as coisas, tanto no Olímpico quanto no Beira-Rio, simplesmente acontecem. Não há o menor planejamento; é pura sorte. Os clubes e a Brigada praticam "roleta russa". Um dia, o cão encontra a bala, e a arma dispara.
Foi nessa quinta...
