Sábado, Julho 04, 2009

A noite em que fui barrado

Na quinta-feira, mesmo sendo sócio do Grêmio, com duas cadeiras em meu nome, fiquei do lado de fora do Olímpico. Cheguei no estádio quando todos os portões estavam fechados, e a Polícia Montada fazia guarda no pátio da Social do Olímpico, em pleno Largo dos Campeões. Na mesma situação que eu havia milhar de pessoas. Não tive dúvidas: meia-volta e rumo à casa. Não fiquei por lá nem cinco minutos. Demorei para entender o que houve. Pelo que vi e ouvindo as partes envolvidas, acho que é possível concluir algumas coisas.

Eu já imaginava que as direções vendiam os ingressos contando com um percentual de sócios que viriam. Aí, vem a mais, e o estádio tem superlotação. Quando falo em "direções", penso também no Internacional. Afinal, houve problema semelhante na final da Sul-Americana do ano passado. Na quinta, como fecharam inclusive as cativas -algo como fechar o portão das perpétuas no Beira-Rio-, imaginei que o problema pudesse ter sido outro. Pela versão da Brigada, dada na sexta pelo comandante, parece que não. Mas isso seria só um dos fatores de quinta. E a versão do Grêmio caminha também nesse sentido.

O torcedor do Grêmio, como sempre, começou a entrar e se alojar nos lugares que mais lhe apraz. Há, evidentemente, portões mais populares que outros. Logo, setores da arquibancada e da social lotaram, mas não a arquibancada ou a social em si. A solução óbvia era fechar esses portões e conduzir os torcedores a outros, mas não. Fecharam as entradas sem nenhuma informação, nenhum encaminhamento. Claro que a massa se enervou e partiu para o confronto. Se tem ingresso, como vai ficar de fora? A BM, mal vista e mal paga, possivelmente já irritada com a confusão entre as torcidas, reagiu; pelo que a confusão se espalhou. Começou o "corre, corre" e as pessoas passaram a tentar entrar por qualquer lugar. Qual a brilhante solução adotada? O clássico bopeano ‘Não vai subir ninguém!’, e mandaram fechar tudo.

Ora, quem tinha direito de entrar e não pôde, se indignou e se uniu aos baderneiros -sempre há aqueles que só querem uma desculpa para criar confusão. Ficou impossível distinguir quem tinha razão e quem não tinha. Infelizmente, a única medida possível, quando a polícia se defronta com esse tipo de situação, é "dar pau" em todo mundo até as coisas acalmarem. O melhor a fazer é ir embora; exatamente o que fiz.

Nesse jogo de empurra-empurra de responsabilidades entre o clube e a Brigada, obviamente ninguém tem razão, mas o clube ainda menos. O torcedor e, principalmente, o sócio só precisam de respeito, nada mais. Afinal, os estádios são sujos, mal cuidados, desconfortáveis, com péssimo serviço, e o ingresso ainda é extremamente caro. Vale muito mais a pena ir ao cinema, jogar sinuca ou, simplesmente, ficar em casa. Os clubes não podem somente achar que o amor do trocedor é suficiente. Eles têm que dar algo em troca; caso contrário, quando realmente precisarem de apoio, não o terão.

O fato é que na quinta-feira ficou provado que as coisas, tanto no Olímpico quanto no Beira-Rio, simplesmente acontecem. Não há o menor planejamento; é pura sorte. Os clubes e a Brigada praticam "roleta russa". Um dia, o cão encontra a bala, e a arma dispara.

Foi nessa quinta...

Quarta-feira, Junho 03, 2009

Escalação suicida?

Acho que, bem treinada, poderia funcionar bem (3-4-3):


16. M. Lopes
20. Herrera - - - - - - - - 7. Jonas
--
--
8. Souza
19. D. Costa - - - - - - - - 10. Tcheco
21. Túlio
--
--
4. R. Marques - - - - - - - - 3. Leo
5. Rever
--
1. Victor


A idéia é manter os 3 zagueiros, pois funciona com os nossos 3, e bem, e há tempos. Um esquema com 3 atacantes só funciona se eles pressionarem a saída de bola do adversário, e o trio Jonas-Herrera-Lopez é totalmente capaz disso (se bobear é o que fazem de melhor).Defesa e ataque arrumados, o problema estaria somente no meio. Mas, nesse ponto: Túlio é cabeça-de-área; Tcheco sabe fazer o flanco-direito ou a ligação; e Souza sabe fazer qualquer flanco e a ligação. Sobraria APENAS UMA posição em aberto!

Marcação pressão; velocidade na transição para o ataque; fim do isolamento ofensivo. PARA DENTRO DELES!

P.S.: Uma variação seria com Souza na ala-esquerda, Tcheco como enganche e Makelelê ou Ruy na ala-direita, caso D. Costa não se mostre preparado para a tarefa...

P.P.S.: Pode virar 4-3-3, sem alterar a equipe, recuando-se os alas e passando o Réver para o meio; ou 4-5-1, acrescentando-se os dois avantes na meia-cancha; ou 4-4-2, com o recuo do ala-direito para a lateral, e um dos atacantes para o meio.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Foram 16 dias...

..., restam 22 para que o Autuori faça o Grêmio dele jogar. Até lá, os resultados - a exceção de UM, são o de menos. É por isso que estou tranqüilo. É dever da direção e do torcedor tirar toda a pressão sobre o elenco. Estamos oficialmente em pré-temporada.

Depois, teremos tempo para correr atrás da máquina. Se vamos terminar na metade da tabela do Brasileiro, isso é um risco menor diante do título da Libertadores. Se perdermos a Libertadores, ainda poderemos fazer um belo segundo turno e beliscar o G-4, ou entrar 2010 com um time redondo e fechado para o Gauchão e Copa do Brasil (além de termos 4 competições no ano que vem).

Portanto, temos que olhar para frente e ter paciência. Troca de treinador é assim, mesmo. Ninguém pode dizer que não estava avisado quando da opção. É o que temos, vamos apoiar.

P.S.: Conto, para isso, com a classificação do Grêmio sobre o Caracas no Olímpico no dia 17 (daqui a 15 dias). Se ela não acontecer, apesar de achar que nada deveria mudar, a pergunta é "e aí, quem segura?"

Quarta-feira, Maio 27, 2009

Vou torcer p'r'o Grêmio com bebê vindo

Na TV, é Grêmio; futebol
Salto pela sala, vibro com o gol
Por enquanto, isso é pré-História
Pois o Henrique ainda não chora

Vou torcer p'r'o Grêmio com bebê vindo
No barrigão, se sacudindo (bis)

Estorou a bolsa, o chão molhado
E agora, eu não sei o que faço
O descontrole já está formado
Mas o obstetra já foi chamado

Vou torcer p'r'o Grêmio com bebê vindo
No barrigão, se sacudindo (bis)


Começou a 32ª semana, mas já vou esquentando...

Terça-feira, Maio 19, 2009


Grêmio: fomos roubados, sim. Mas, e agora?

Banir não adianta em nada. O banimento seria apenas do Seneme e somente para jogos do Grêmio, o que de nada prejudica o árbitro, nem dá recado a juiz algum. Seneme mostrou-se mau-caráter, mas também ser bom árbitro quando quer. O problema está NOS CLUBES. E isso se reflete nas Federações e na CBF. Enfrentar isso é uma tarefa quixotesca. Acho que a postura a se adotar é apontar o problema, mostrar o total descontentamento com isso, nunca se valer dele (coerência!) e seguir trabalhando. Nada mais.

O Grêmio foi fundado por 32 pessoas que queriam apenas JOGAR FUTEBOL, independentemente do resultado. Se trabalha e se treina para jogar o melhor possível; não, para vencer. Se vamos ganhar ou perder, isso depende do adversário, do árbitro, do dia. A tarefa do time se limita a deixar tudo na cancha. Se continuarmos trabalhando assim, mais próximos estaremos do Grêmio de França, Bohrer, Ribeiro, Siebel, Uhrig, Brochado, etc. E esses é que são os IMORTAIS. Quem quebrou o Grêmio, quem quase acabou com o clube, foi a turma do "vencer a todo custo".

Quem não tem que dormir à noite por ter roubado são os outros. Nós temos que manter a consciência tranqüila, até porque vencer por força no bastidores não tem a menor graça. Os resultados virão. Eles vêm. Sempre...

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Polegada por Polegada

Domingo, Maio 03, 2009

Por Interesse

Casualmente, Uruguai e Brasil aceitam receber jogos das equipes mexicanas na Libertadores. Como elas enfrentam São Paulo e Nacional, a solução é simples:

a) San Luís-Nacional, em São Paulo;
b) Guadalajara-São Paulo, em Montevidéu.

Queria ver a cara dos "malandros" com essa!

P.S.: Fosse eu, mandaria ambas as partidas para Toronto, Montreal e/ou Vancouver...

Quarta-feira, Abril 22, 2009

Grêmio: vem Autuori

Assume apenas em meado de maio, com a promessa de um trabalho de longo prazo (no mínimo, até dezembro de 2010). Se isso ocorrer, a direção acertou. O problema é que não há qualquer garantia de que a direção não faça com Autuori o que fez com Roth. Há o risco de não haver pulso e coragem para manter o treinador ao primeiro sinal de crise; algo que fatalmente ocorrerá. Para compensar um erro (seja a renovação ou a despedida de Roth), a diretoria age bem.

Mas até quando?

Segunda-feira, Abril 20, 2009

Sobre a "vantagem" de decidir em casa

Na Taça Libertadores, de 2005 para cá, houve 60 confrontos diretos (o que já é um número considerável). Os mandantes da segunda partida se classificaram em 31 oportunidades (51,67%); já os visitantes, em 29 oportunidades (49,33%).

Ou seja, é praticamente IGUAL jogar a primeira ou a segunda em casa.

Então, por que tanto estardalhaço no fato de o São Paulo ter ido com os reservas à Colômbia?!

Sábado, Abril 04, 2009

Grêmio segue o 2007 colorado

Ao não aprender com a experiência alheia, o Grêmio segue firme seu caminho ao fracasso. E não falo de Celso Roth, mas de quem está acima dele. Não duvido que o Celso não defendesse usar os reservas amanhã, mas a direção mandou por os titulares.

Em 2007, o Inter resolveu colocar os reservas no Estadual e os titulares na Libertadores. Contudo, diante dos fracassos iniciais dos suplentes, mudaram de idéia e passaram a utilizar apenas os titulares.

Tivessem posto o Estadual na coluna "Prejuízo" e mantido o planejado no início do ano, talvez o desfecho da temporada tivesse sido diferente. Contudo, acabaram por ser eliminados em ambas as competições ainda na Primeira Fase. Exaustos, os titulares não conseguiram recuperar o terreno perdido no Gauchão e foram batidos na Libertadores.

Por que, agora, o Grêmio comete o mesmo erro? Respondo. Por pura vaidade. Por não aceitar uma derrota que é evidente, mesmo sendo uma derrota menor diante do desafio imposto na temporada.

Amanhã, torcerei para que a LOUCURA que a direção comete não traga conseqüências devastadoras. Contudo, se seguir-se o que é lógico, a SOBERBA derrotará a IMORTALIDADE.

Temo pelo pior também na Libertadores. E a culpa não será do Roth. Ele servirá apenas de bode expiatório...

Sexta-feira, Abril 03, 2009

Brincando de Dirigente e Treinador

Convocados para domingo:

M. Grohe e Alessandro; Léo, Réver, R. Marques, Saimon, Thiego e Héverton; Souza, Makelelê, Jadílson, Maylson, Orteman, J. César e T. Santos; Jonas, Herrera, Reinaldo e M. López.

Escalação: Grohe; Léo, R. Marques e Thiego; Saimon, Makelelê, Maylson, Orteman e Jadílson; Herrera e Reinaldo.

Banco: Alessandro, Thiego, Héverton, Souza, J. César, Jonas e M. López.

Concentração inicia sábado, às 19h.

Treinos:
Para todo o elenco - domingo, das 10h às 12h. (FECHADO)
Para os titulares que folgam - domingo, das 14h30, às 16h (com Celso Roth).

Deslocamentos:
Hotel - Olímpico, domingo, 9h15.
Olímpico - Beira-Rio (ônibus), domingo, 14h30.
Olímpico - Beira-Rio (treinador), domingo, 16h.

P.S.: É para parecer que não estamos dando bola, mesmo. Mas o treino de manhã é para preparar o Gre-Nal...

Quinta-feira, Abril 02, 2009

Gre-Nal de Domingo

Nascido de um diálogo com meu pai.

Ele está certo quanto a importância do jogo: NENHUMA. Por mais que eu goste do Gre-Nal, e acho que o jogo de domingo tem um simbolismo todo especial, não podemos entrar no Beira-Rio com força máxima. O jogo mais importante é do de terça.

Contudo, é claro, isso não significa entrar em campo com um time como o de Canoas, ou o de ontem. Temos que dificultar a vida do Internacional, mesmo que eles ganhem. Quanto mais equilibrado for o Gre-Nal, melhor. Mas a queda de Roth parece estar definida para domingo. Aliás, os cadernos de esportes dos principais diários da cidade já estão prontos, celebrando a despedida do treinador. Não gostaria de estar no lugar dele.

Se estivesse, colocaria um time misto no clássico: Grohe; Léo, Réver e R. Marques; Saimon, Júlio César, Maylson, Makelelê e F. Santos; Jonas e Reinaldo. Cinco titulares, nada mais. Um time relativamente competitivo, mas que dificilmente sairia do Beira-Rio classificado. Mas, há de se convir, o aumento das chances com os titulares não compensa o risco da derrota. Esse time certamente poria pressão no aniversariante, no favorito, no melhor time. E pode fazer o crime. Porém, sua maior vantagem, é mostrar que o foco está na terça-feira. Que é onde deveria estar. E assegurar certa tranqüilidade para a terça-feira independentemente de uma provável desclassificação.

Infelizmente, se acontecer o que está no script, nós perdermos domingo, Roth cai, empatamos na terça e o Olímpico vira um pandemônio. Krieger GOSTA de apostar na IMORTALIDADE. Já não é a primeira vez: em São Paulo, no ano passado; este ano, mesmo, em Tunja. Uma hora ela CANSA! Esperemos que não seja neste semana.

Meu palpite?! O jogo de domingo termina empatado. E torço para que nos classifiquemos nos pênaltis.

Terça-feira, Março 31, 2009

Por que os dirigentes não gostam dos Estaduais?!

Porque é o único campeonato que não se pode perder. É o único que se tem obrigação de vencer.

Se ele não existisse, a pressão sobre eles seria bem menor. Todos reclamam que é o que menos vale, mas é que mais dá dor-de-cabeça quando se perde.

O sonho dos dirigentes é ser 10º colocado do Campeonato Brasileiro...

Terça-feira, Março 24, 2009

"Sobre Volantes" ou "Como a linguagem afeta um debate"

Juca Kfouri, Tostão e Wianey Carlet andam escrevendo sobre o volante. O problema é que eles não estão falando a mesma língua. E aí ninguém se entende.

Esclareçamos. O que Tostão e Kfouri chamam de "volante" -e que estaria desaparecendo- é, de fato, o "cabeça-de-área", o "trinco" ou o "cinco" (sinônimos).

O jogador que fica FIXO à frente da zaga, não pode ser chamado de "volante" (algo, por natureza, móvel). "Volante", como bem lembram os argentinos, é aquele jogador que marca, mas também sai para o jogo. É aquele que tanto pode jogar como "cabeça-de-área" ou "meia" dependendo da situação no jogo.

O "meia-armador", "meia-de-ligação", "meia-atacante", "dez" ou "enganche" (sinônimos) é exatamente o oposto ao "cabeça-de-área". É um jogador que está sempre solto, sem muitas preocupações defensivas, responsável pela armação das jogadas de ataque.

O nome "volante" foi corrompido no Brasil. Passou a significar o "brucutu" quando nunca foi criado para isso. "Volantes" são Gerrard, Hernanes, Lampard, Lucas, Ânderson, etc. Quando foi desenvolvido o 4-4-2 brasileiro, com dois "cabeças-de-área" e dois "enganches", passou-se a chamar os mais recuados de "volantes" -uma alusão ao 4-2-4?- e os mais adiantados de "meias". E estava feita a confusão.

Seria excelente para os nossos "formadores de opinião" futebolística que tratassem ou de estabelecer um nome único para aquilo que se referem, ou, antes de escrever, que buscassem perceber o que o autor quer dizer quando utiliza determinado nome. Caso contrário, o debate fica inviável.

Não achei o texto do Kfouri.

Eis o do Tostão:

Os volantes já eram - O Povo On Line, 21 de março de 2009 - Não sei se por ironia, incoerência e/ou desconhecimento técnico, Dunga disse que, para convocar Ramires e/ou Hernanes, não poderia chamar Kaká. Contra a Itália, Kaká estava contundido e Hernanes e Ramires não foram chamados.

Elano e Anderson são também dois armadores que marcam e atacam. Ramires e Hernanes disputariam posição com os dois, e não com Kaká.

Como Gilberto Silva atua muito recuado, centralizado e raramente passa do meio-campo, Hernanes e Ramires não têm características para fazer essa função. Mas é preciso encontrar um substituto para Gilberto Silva. Por ser mais jovem, ter mais mobilidade e passe mais rápido, Felipe Melo pode se tornar uma boa opção, mas não para atuar ao lado de Gilberto Silva, como fez contra a Itália. Felipe Melo parecia um clone. Dois Gilbertos Silva são demais.

Só se justifica a presença de dois volantes muito recuados e marcadores, como Gilberto Silva e Felipe Melo (ou Josué), nos momentos em que o Brasil jogar mais atrás e atrair o adversário para contra-atacar, como fez contra a Itália e em algumas vitórias sobre a Argentina. Na maioria das partidas, o Brasil terá de pressionar e vai precisar de armadores que marquem mais na frente e se transformem em atacantes quando o time recuperar a bola.

A palavra volante só serve para confundir técnicos, imprensa e torcedores. É difícil compreender por que Gilberto Silva, Hernanes e Ramires são chamados de volantes, se são tão diferentes.

A partir de hoje, seguindo a sugestão de um leitor de Juca Kfouri, contada em sua coluna, não vou mais utilizar a palavra volante. Os jogadores de meio-campo, que quase só atuam do meio para trás, serão chamados de armadores defensivos; os que atuam quase só do meio para frente serão armadores ofensivos, e os que atuam de uma área a outra, como Ramires e Hernanes (esses são especiais) serão armadores defensivos e ofensivos.

Os brucutus continuam sendo brucutus. Fica mais simples e fácil.
Artilheiros. Os artilheiros são importantes, há vários jogando bem no Brasil, mas não precisa exagerar nas avaliações. Qualquer centroavante fazedor de gols, que não sabe dominar a bola e dar um passe ou um drible, é endeusado e muito mais valorizado que os outros.

Defendo a tese, que nunca será aprovada, que, se colocarem, um zagueiro raçudo, alto e de chute forte, de centroavante, ele também será artilheiro, ainda mais nos campeonatos estaduais.

Hoje, veremos, de um lado, Ronaldo, tentando se reencontrar com a leveza, com a alegria e com os sonhos que tinha aos 17 anos. Só não dá para ter o mesmo corpo. Do outro lado, o franzino Neymar, 17 anos, ainda uma promessa, tentando encontrar o segredo para se tornar um craque como Ronaldo. Passado, presente e futuro juntos. Encontros e reencontros. Todo encontro é um reencontro com algo vivido e/ou imaginado.
E o de Carlet:

Tostão reinventa a roda e extingue o volante - Blog do Wianey, 24 de março de 2009 - Se existe discussão mal conduzida e, mesmo assim, candente e interminável, é esta que envolve uma posição do futebol: o volante. Neste momento, é Tostão, médico, ex-craque e comentarista esportivo, quem joga gasolina no fogo anunciando que está extinta a função do volante. Quer dizer, o brucutu, quebrador de bola, limpa trilhos, o volante estritamente defensivo.

Na verdade, só existe uma verdade: começaram a surgir no Brasil, em bom número, volantes tecnicamente mais qualificados, que marcam e saem para o apoio com natural eficiência. A novidade não está na eliminação da função mas na qualificação da posição, fato que não se determina, apenas acontece, espontaneamente.

O reinado dos maus volantes, entretanto, não é tão absoluto, como se pensa. A Seleção Brasileira já teve Clodoaldo e Carpeggiani, para citar dois, que esbanjavam classe. Falcão, no início da sua carreira, era volante. Depois, Rubens Minelli convenceu o Bola-Bola, não foi fácil, a jogar mais adiantado. Como estes, dezenas de outros exemplos poderiam ser lembrados.

Muitas vezes, volantes foram carimbados como brucutus sem que merecessem o depreciativo conceito. O caso mais ilustre e recente foi Edinho. Fernando Carvalho refrescou a memória geral, recentemente, lembrando que nas finais da Libertadores, 2006, o volante que não sabia jogar deixou o Jorge Wagner pifado duas vezes na cara do gol e depois deu o passe pro Sóbis. Ainda nesta que foi a mais gloriosa temporada na vida do Inter, Edinho acertou 462 passes, ficando entre os três melhores passadores do Brasileirão, segundo levantamento do Data-Folha, se não me falha a memória. O problema de Edinho não era o passe, tampouco o apoio. Ele passava e apoiava com boa média de aproveitamento. Sua dificuldade era a pouca velocidade. Normalmente, chegava um pouco atrasado para o desarme e, como é muito forte, acabava atropelando o adversário, cometendo muitas faltas diante da sua área.

Não, os volantes não estão sumindo, coisa nenhuma. Felizmente, estão surgindo volantes com boa qualificação técnica e em bom número. Mas, quem presta atenção ao que acontece na aldeia, deve ter percebido que houve boa pressão contra a titularidade do volante Sandro. Não queriam um meia-atacante no seu lugar?

Segunda-feira, Março 02, 2009

E o que dizer do Gre-Nal?!

O que dizer sobre o Gre-Nal senão que foi a melhor partida do Inter na temporada e a pior do Grêmio (se descartarmos Veranópolis).

I. As Causas da Derrota

Do lado gremista, Roth teve sua parte de responsabilidade, mas a derrota não passou só por ele. É fato que ele não viu que 3-6-1 gremista não servia para enfrentar o 4-3-1-2 colorado. Que o Inter não era o mesmo de Erechim, usw. Mas, o Gre-Nal foi muito além disso.

O Grêmio não perdeu só taticamente. Foi pior também tecnicamente. Não se pode colocar a culpa apenas no esquema, já que todos os jogadores sabiam como funcionava. Mas ao invés de termos um meio compacto, com constantes trocas de posições (como em Novo Hamburgo e Erechim), tivemos aquilo que se viu. Os jogadores corriam, mas cada um para um lado diferente. E com dois jogadores a mais no meio, não conseguíamos trocar três passes. Mesmo que o Roth tivesse acertado na escalação, não é de se duvidar que o desfecho seria semelhante. Os jogadores do Grêmio jogaram abaixo do que sabem. Podem nominar: Tcheco, Sousa, Ruy, Jadílson, Adílson, Alex, Jonas, Leo, usw. O time mudou o esquema por duas vezes e continuou pior que o Inter!

Mas não foi só pela tática e pela técnica. O Grêmio perdeu também psicologicamente. Os jogadores estavam transtornados. O time como um todo estava absurdamente ansioso. O Adílson, melhor jogador da quarta-feira, por exemplo, foi terrível. Bateu até na própria mãe. Deveria ter sido expulso meia hora ANTES; não, no último minuto. Houve muita reclamação, muito pontapé, muito erro de passe. Era como se do jogo dependesse a temporada, e os jogadores (e o técnico) acusaram o golpe.

E para completar, o time ainda perdeu na parte física. O Inter sobrou em campo, mesmo tendo jogado na quinta-feira.

Em um Gre-Nal entre dois times equivalentes (ainda acho isso), o Grêmio perdeu tática, técnica, psicológica e fisicamente. Um jogo para abalar toda e qualquer convicção de trabalho. Se o Grêmio não fizer tudo certo no decorrer das próximas semanas (e olhem que os dois próximos jogos da Libertadores são fora de casa), pode botar a temporada a perder.

II. E o Porvir?

Foi uma derrota que expôs todas as fragilidades do grupo técnico e de jogadores de uma só vez. Faltou tudo no domingo. O Grêmio saiu do Beira-Rio com a impressão que não é time talhado para decisões, e Libertadores É SÓ DECISÃO. Restaurar a confiança é fundamental. Todos tem que ter consciência do vexame, porque haverá outros jogos decisivos, e uma outra atuação dessas será inadmissível.

Se fosse dirigente, o Gauchão, por enquanto, seria tratado como “águas passadas”. É fundamental que essa derrota seja posta de lado e permanceça apenas como “sinal de alerta”. É hora de dar suporte aos jogadores e à comissão técnica. É hora de mostrar que decisão se ganha com FUTEBOL e que é necessário CALMA nos momentos decisivos. O time tem bola para ser campeão; está na hora de também ter cabeça.

Por hora, recomendo a utilização de reservas no Estadual a partir de agora. Os titulares só voltariam a jogar pelo Gauchão quando não tivessem que viajar ou se não tivessem voltado de viagem. O que acontecerá contra o Caxias em 02/04 e se adiantassem a partida contra o São José para 19/03. Colocaria reservas, sem qualquer dúvida, contra Ypiranga, Santa Cruz, Sapucaiense, Ulbra, São Luiz e nas finais. Os titulares só jogariam uma eventual final de Gauchão. Isso é correr o risco de ver o Inter campeão gaúcho? Sim, mas temos que ter consciência que tivemos nossa chance na Primeira Taça e a jogamos fora. Abrir mão do Gauchão é ruim, mas nós mesmos nos colocamos nessa posição.

No mais, apenas torço para que a direção saiba tomar as decisões corretas nesse momento difícil.