sexta-feira, abril 13, 2007

Liberalismo, Conservadorismo, Esquerda, Direita...

... O Debate Segue!

O diálogo abaixo estava nos "Comments" do artigo anterior. Apesar do debate ainda continuar por lá, achei interessante trazer, ao menos o começo, à tona. Os pontos e questionamentos do Artur vão em branco e itálico; os meus, em azul.

---

Não digo que o DEM fará isso, mas você não acha que o liberalismo, principalmente depois dos impasses gerados pelo 'neoliberalismo', deveria incorporar no seu programa temas como justiça social, entre outros?

Artur, mas "neoliberalismo" é exatamente um liberalismo mais preocupado com as ditas questões sociais. É o liberalismo de Rosevelt, de Keynes, do Partido Democrata americano. É a social-democracia ou, então, o social-liberalismo de Merchior. Eu nunca entendi porque o neoliberalismo transformou-se em "liberalismo" e a volta aos preceitos clássicos é que passou a receber a alcunha de "novo".

Penso em Noberto Bobbio e John Rawls (na minha opinião, o maior teórico do liberalismo norte-americano - há um debate muito interesante entre ele e Habermas), como fonte de inspiração para vocês, jovens liberais.

Bobbio e Rawls, p.e., são dois pensadores de esquerda. Sérios, intelectualmente honestos, o que gera certa confusão, mas de esquerda. Eles acreditam num "mínimo múltiplo comum liberal", como define Vargas Llosa, que deve ser a base do consenso político, mas crêem que a ação do Estado é mais eficaz na busca da redução de desigualdades. Aliás, salvo melhor juízo, está na própria “busca da redução de desigualdades”, a grande característica do "ser de esquerda" para Bobbio.

Acho interessante que o liberalismo brasileiro faça uma dissociação entre política liberal e política conservadora. Essa relação é histórica, mas não necessariamente lógica ou necessária. Acharia um avanço que essa relação antiga ficasse contingente.

Artur, essa dissociação que tu crês que os liberais devem fazer é absurda. Afinal, uma vez conquistado o tal “mínimo comum liberal”, só há dois caminhos a escolher: a alternativa conservadora ou a alternativa progressista. Ou os liberais se filiam à direita ou à esquerda. Inexiste terceira hipótese.

Na minha opinião, a crítica liberal contra a esquerda é muito mais eficiente do que a conservadora (aliás, pode gerar um diálogo não dogmático), simplesmente porque o modelo de democracia de Olavo de Carvalho, por exemplo, é muito restrito. Existe uma radicalidade democrática no liberalismo político que não existe no conservadorismo.

O problema da crítica liberal à esquerda é que ela não ataca a esquerda em si, pelo menos não a “esquerda pró-mercado”. Algo que o Olavo de Carvalho já demonstrou diversas vezes em seus artigos. Confesso que não entendi o que seria “radicalismo democrático”, ou que tu queres dizer com isso.

A reciclagem pode ser interessante. A esquerda (não toda é verdade) faz isso quando incorpora o mercado e elementos da democracia liberal no seu programa.

É essa reciclagem “interessante” a qual passou – e ainda passa – o PFL (agora, DEM). Como viste, me desagradou profundamente.