sexta-feira, setembro 14, 2007

Mais sobre Renan

Quando eu disse que explodiria o Parlamento, o fiz metaforicamente. Não me entendeis mal, por favor! Em realidade, o desejo é de profunda mudança na estrutura institucional da política nacional. Explico.

Este artigo resulta do debate ocorrido hoje no programa "Polêmica", da Rádio Gaúcha de Porto Alegre. A pergunta era se adiantava votar nas pessoas certas ou se não haveria solução para a crise política brasileira. Ora, tal pergunta está mal formulada. Na prática, é impossível votar-se nas pessoas certas e as exceções, quando existem, terminam perdendo a eleição ou sendo "engolidas" pelo establishment logo que assumem. Por coincidência, acabo de ler parte do livro "Ética, Política e Direito" de José Fernando Castro Farias, cuja seção V.1.1.7.(A Reconstrução do Direito/A Reconstrução da Sociologia Jurídica/A Análise Institucional/Instituição e Papéis) traz ideías interessantes sobre o assunto.

Na obra, Castro Farias expõe a noção de pessoa, buscando o significado orginal do latim persona, isto é, a máscara que os atores utilizavam para representar personagens numa peça teatral. Portanto, ao trazer o termo para a sociologia, ele coloca que "pessoa" seria o indivíduo enquanto representante de um "papel" na sociedade. Tal idéia, a de "adoção de papéis", teria sido desenvolvida pelo psicólogo G.H. Mead. Segundo este, a estrutura institucional coloca-se de tal forma que as ações dos indivíduos diante de uma situação particular serão as mesmas dependendo do papel exercido. Afinal, nas palavras de Castro Farias, "o funcionamento da instituição supõe uma tipificação dos papéis dos indivíduos dentro da sociedade... Os atores são vistos não como indivíduos, mas como tipos intercambiáveis".

Ao que parece ser um determinismo, em realidade oculta uma característica da instituição: a de determinar quais as "virtudes" deve ter o indivíduo a ocupar determinado papel. É a própria instituição que estabelece as funções de cada "cargo" e é a própria instituição que define O MODO de escolha do ocupante desses "cargos". Não seria simplesmente Hitler quem liderou as atrocidades nazistas, não seria simplesmente Stálin que adotou o terror como forma política na URSS. É tão verdadeira a afirmativa que ambos despossuiam qualquer escrúpulo quanto o fato de que não se poderia ter qualquer escrúpulo para ser o Führer do Dritte Reich, bem como Secretário-Geral do PCUS. Assim, não fosse Hitler ou Stálin a ocupar seu lugar, seus substitutos não seriam melhores, pois certamente se enquadrariam às necessidades do cargo.

Como bem retratou o escritor italiano Giuseppe Tomasi di Lampedusa, na sua obra "O Leopardo" (Il Gatopardo, no original), às vezes é preciso que tudo mude para que fique tudo como está. Ora, inexistindo alteração NOS PAPÉIS, pouco importa quem o exerce, tudo restará do mesmo jeito. A História Brasileira é isso. Já fomos colônia, sede do Império português, Império e República; vivemos ditaduras e democracia; mas a cultura institucional jamais foi alterada. Tudo mudou, mas a sociedade civil segue a trabalhar para o Estado, nunca o contrário.

Renan Calheiros, Lula, OS POLÍTICOS EM GERAL, são apenas personagens. Eles agem como se espera que ajam. Eles foram eleitos PARA ISSO, para mentir; para trabalhar em prol de si e dos seus. Infelizmente, as instituições políticas brasileiras demandam corruptos e salafrários. Esses são a regra; os poucos que prestam, exceção. Sem uma profunda e verdadeira reforma, qualquer esforço contrário a ordem vigente será inútil.

1 Comments:

Blogger Claudio de Canoas said...

As perguntas do polemica com o Lauro Quadros sao sempre mal formuladas e um pouco tendenciosa , dependendo do assunto abordado
!!!

17 setembro, 2007 13:05  

Enviar um comentário

<< Home