quarta-feira, março 07, 2007

Futebol?! Outra vez?!?! Ô, vício...

Subtítulo:
Acho que meu blogue tornar-se-á uma bela dialética entre Futebol e o Aquecimento Global. Até parece que não há mais nada sobre o que se escrever ogendia...

Indo ao que interessa, sempre fui favorável à globalização e à livre circulação de pessoas, bens e serviços (- Serviço circula?! - Não sei. O problema é dele; mas se ele quiser, não vou impedir), com concorrência global e planetária para absolutamente ao que desse na telha, desde que respeitados certos limites necessários a convivência pacífica entre os seres humanos (O que a pessa faz em casa, é problema dela, mas não precisa - nem pode, nem deve! - ficar expondo na rua...).

Dito isso, caio logo em contradição; pelo menos, aparente. Explico!
Tal idéia leva, fatalmente, a uma uniformização das regras impostas a todos. E esse é, precisamente, um dos pontos a se evitar para que a liberdade funcione de pleno. Ora, uma das maravilhas da liberdade de circulação - o tal "direito de ir-e-vir" - é, precisamente, conceder o direito às pessoas de saírem de um local que não lhes agrada para outro em que se sinta melhor. Se as regras e costumes são uniformes, é IMPOSSÍVEL o exercício dessa liberdade, pois não importa de onde se sai e de onde se chega, o local é exatamente o mesmo...

E vede bem, regras e costumes vão desde o direito a jogar futebol aos domingos até a poder dar umas palmadas nos filhos; ou à existência da menoridade penal; a ser possível dirigir automóveis sem "tirar carteira"; a fumar - tabaco ou maconha, o que seja -; a educar os filhos em casa ou ser obrigado a enviá-los a um colégio "gratuito"; a andar pelado na rua; ao casamento homossexual; à ostentação de símbolos religiosos; a votar; a torcer para o Internacional (crime lesa-pátria, no meu entender); etc. Só há liberdade quando existe escolha e só existe escolha quando se têm opções...

- O texto confuso é uma homenagem ao amigo Artur Perrusi, mas sem o talento dele -

Portanto, só pode existir liberdade num mundo em que os homens, organizados em pequenas comunidades, possam exercer sua, digamos, soberania de maneiras diversas, distintas, diferentes, mas sem coibir a outros que saiam de lá, ou por lá passem, ou por lá se estabeleçam, desde que respeitem as regras e costumes locais. Lógico! (Lógico?!)

Em suma, essas comunidades não podem proibir o contato com outras culturas, não podem determinar seu auto-isolamento. Pois é das experiências que se evolui.

- O texto confuso não é só uma homenagem, ele reflete um pensamento igualmente confuso. -
- Se bem que o Dr. Artur é psiquiatra... -

Bem, eu falava de futebol. Pois, desse texto, descobri, por enquanto, que sou um libertário, empirista e defensor do princípio da subsidiariedade - aquele que diz que o Estado não pode fazer aquilo que a municipalidade é capaz de fazer; o Município não pode fazer aquilo que a comunidade é capaz de fazer; a comunidade não pode fazer aquilo que a família é capaz de fazer; e a família não pode fazer aquilo que o indivíduo é capaz de fazer. E, assim, não posso ficar calado, inerte, diante do que estão fazendo com os campeonatos estaduais. OS NOSSOS CAMPEONATOS ESTADUAIS!

O futebol brasileiro nasceu com os estaduais. Ao pegar-se a história dos nossos torneios, sem que houvesse praticamente comunicação entre as federações, os clubes organizaram-se em campeonatos estaduais. Mesmo nos Estados em que a regionalização era ainda mais forte, com ligas internas, os campeões enfrentavam-se para determinar o melhor do Estado! O Brasil possui Doze Grandes clubes, porque eles despontaram nos Estados mais importantes. Há lideranças regionais no PR, GO, BA, PE, PA, etc., porque eles dominaram o cenário estadual por décadas.

O futebol brasileiro é grande do jeito que é por sempre ter sido descentralizado e livre! Por não existir um "futebol brasileiro", mas um gaúcho, outro paulista, e outro carioca, mais um mineiro, e pernambucano e etc...

Contudo, hoje, o nosso futebol sofre por um processo de apequenação. Por um processo de "belgicização", de "suiçização" de nosso esporte preferido e de nossos clubes (Nota: para quem gosta de futebol, isso é ofensivo!).

A "verdade" propagada é que o torcedor não gosta dos Estaduais. BA-LE-LA. A média de público dos grandes clubes é semelhante a do campeonato nacional, com a vantagem que mais clubes estão em funcionamento, levando as cores, a história e a paixão dos habitantes do bairro ou das pequenas cidades por onde passam, gerando mais riqueza, divertindo mais pessoas, descobrindo mais talentos.

Se algum governo tem que acabar, que sejam os centrais.

Se algum campeonato tem que acabar, que seja o Nacional!

texto modificado em 08/03/2007, às 8h55min.

24 Comments:

Anonymous Cabral said...

Sanchotene,

Pense na tristeza dos clubes das ligas interioranas, de bairros etc. que perderam espaço e desaparecerem quando os estaduais ganharam corpo.

"O futebol brasileiro nasceu com os estaduais." Isso mesmo. As coisas mudam. Nascem, crescem... Evoluem ou involuem, mas mudam.

Veja o exemplo do Torneio Intermunicipal, aqui na Bahia, maior campeonato do mundo. Deu espaço para equipes, principalmente do interior, se expressarem como clubes de futebol.

Cada um na sua.

Volto a insistir. O que é bom para São Paulo não o é para a Bahia. Liberdade de escolher o que é melhor para si. Um futebol voltado para o estado vai sepultar de vez quaisquer ambições nacionais dos clubes daqui. O campeonato baiano não se sustenta. É necessário subsído do Estado (arghhh!!!) para sobreviver. Se algo que não o nacional deve ser valorizado, este algo são os regionais. Uma saída.

"A média de público dos grandes clubes é semelhante a do campeonato nacional..." Onde? Aí no RS. Ah! Tudo bem. Aqui, em 2006, com promoção e tudo, ingresso por nota fiscal, a torcida desprezou o estadual e encheu na série C, sem ingresso por nota. Isso não seria manifestação do que pensa e quer o torcedor?

De resto, concordo na íntegra com a primeira parte do seu texto. Os indivíduos, e por que não as instituições, devem ser livres para escolher o caminho que melhor lhes convier.

Abraço.

08 março, 2007 15:42  
Blogger San Tell d'Euskadi said...

Cabral, se precisar descentralizar mais um pouco, para abraçar todo mundo, ótimo! Que voltemos às ligas regionais dentro dos Estados!

Além disso, que bem me lembre, a economia de São Paulo já era astronomicamente maior que a de qualquer estado nordestino quando um certo clube cujo nome não mencionarei, papou o Santos na Vila e no Maracanã e foi campeão!

No mais, pegaste o espírito. Como fazer com que todos os clubes possa enfrentar qualquer outro, a valer, e permitir a liberdade de associação?!

Interessante desafio...

08 março, 2007 16:06  
Anonymous Cabral said...

1. Os estados dentro das ligas reginais fica bem melhor. Não escala na Bahia fazer Bahia e Vitória fortes. No NE há.
2. O único clube fora do eixo RJ-SP-MG-RS a vencer na era pré-brasileiro. Um acaso. Se o intúito é viver de acasos...
3. "...todos os clubes possa enfrentar qualquer outro, a valer...". Sanchotene!?!? Isso está parecendo declaração de intelectual petista.

08 março, 2007 17:03  
Anonymous Cabral said...

Ligas regiOnais...
Não HÁ escala...
Maldito teclado!

08 março, 2007 17:04  
Blogger San Tell d'Euskadi said...

Parece petista, mas não é. Afinal, jogar "a valer" não quer dizer "parelho".

A Austrália, p.e., enfiou 22 a 0 num pobre coitado pelas Eliminatórias, mas ninguém cogitou em escantear aquele país só porque ele é pequeno ou, teoricamente, é pior. Vai que ganha?!

Ora, depois que fardou e entrou em campo, é 0 a 0, com bola no centro e onze para cada lado. Pode acontecer qualquer coisa! Eu quero é dar chance aos "acasos"...

08 março, 2007 17:45  
Anonymous Cabral said...

1. Eu quero é ter chance de jogar para valer. Apenas com estaduais como espinha dorsal, dependeremos sempre de acasos.
2. Mudando de assunto, nada a ver sobre o que discutimos agora. Sobre goleadas, não foi na mrv que lascaram o malho na seleção de futsal que meteu 70 e tantos a poucos, ou nenhum, no Timor Leste? Não foram 11 contra 11, no caso 5 contra 5? Deveriam ter metido só 20 e parar? 30? 10? Ou deveriam ter entregado o jogo? Afinal, coitadinho do Timor Leste...

08 março, 2007 18:56  
Anonymous Artur said...

Hehe... De fato, libertário, grande Sancho. Um libelo anarquista ou libertário a favor dos estaduais. Sobre esse papo de organizações municipais e comunais, há um livro anarquista sobre essa questão. Discordo, mas é interessante: "O bairro, a comuna, a cidade... espaços libertários" de Bookchin, Boino e Enckell, da editora Imaginário.

Sou a favor do estadual e do regional. O fut nordestino cresceria muito, como cresceu, com um regional bem organizado.

"O texto confuso é uma homenagem ao amigo Artur Perrusi, mas sem o talento dele" - o talento da confusão, é isso o que você quer dizer? Hehe... Brincadeirinha. Obrigado pela homenagem.

Cabral?! É Marcos Cabral?

08 março, 2007 19:20  
Blogger San Tell d'Euskadi said...

Cabral, num jogo de 40 minutos, fazer mais de 80 gols é sacanagem. Quando um time é muito melhor que o outro e abre-se, sei lá, sete ou oito gols de vantagem, deve-se parar e ficar tocando a bola, diminuindo o ritmo até quase a inércia... A não ser que o adversário seja o Internacional. Aí, pode enfiar quantos for possível...

08 março, 2007 19:41  
Anonymous JS said...

Quanto mais o Cabral sonha com essa morrinha que é o Nrasileiro, menos os baianos participam dele.

Melhor seria começarem a torcer menos pelos clubes cariocas e paulistas e valorizarem os quitutes da culinária local.

Os times da Bahia andam tão sem prestígio que tem até cantora de axé torcendo pelo Cruzeiro.

Já estão aceitando qualquer colonização. Nem precisa mais ser de Estado rico...

09 março, 2007 01:03  
Anonymous JS said...

Brasileiro e não Nrasileiro, pô! De qq forma, continua a mesma morrinha de sempre.

E que os estaduais sejam breves e por pontos corridos para, aí sim, iniciarem-se as competições regionais e nacionais.

E o Cabral, enfim, se entusiasmar com Vitória x Pirambu e Bahia x Potyguar de Currais Novos.

09 março, 2007 01:08  
Anonymous Cabral said...

1. Sim Perrusi, Marcos Cabral.
2. Sanchotene, então faz um manual: "fazer 7 ou 8 (o que definirá se 7 ou 8), aí então, ficar rodando a bola..." Pelamordedeus, Sancho!!! Parodiando Lula, "Deixa os caras fazerem gol, pô!"
3. Santana, desde quando baiano, principalmente do interior, torceu para Bahia ou Vitória? Desde nunca!!! Mesmo na época de estaduais de ano inteiro e taças brasis, o negócio, principalmente no interior e com certa força na capital, era torcer para o Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense... Eu não tenho medo de perder o que nunca tive!

09 março, 2007 08:36  
Anonymous JS said...

Cabral, vc tá é com medo de ganhar o que nunca teve. Aqui em Minas, o Interior era carioca.

Ainda ontem, vi um concurso do Mais Querido de Minas (na verdade, de Beagá) em 1965. A escolha era segmentada por estado, mas ainda assim dá pra ver que teve mais gente votando no Botafogo do que na Cocota, o clube queridinho da imprensa e da torcida local.

Hoje em dia, o Botafogo é a 10ª, se tanto, torcida em Minas. A Cocota é o 3º no Interior e 2º na Capital. E apareceram na fita Grêmio, Atlético-PR, SCCP e SPFC que, naquele tempo, mal eram conhecidos por estas bandas.

09 março, 2007 09:00  
Blogger San Tell d'Euskadi said...

Cabral, para que definir? É questão de respeito. Respeito se tem ou não se tem. Depois que o adversário "levanta a bandeira branca" ou "pede água", não tem porque seguir atirando...

09 março, 2007 10:05  
Blogger San Tell d'Euskadi said...

Santana, tu te contradizes. Pelos teus dados, a torcida do Cruzeiro e do Galo passou a crescer e se impor com o começo das ligas nacionais...

09 março, 2007 10:07  
Anonymous Edmar said...

Aqui em Minas parte do interior ainda é carioca, principalmente a zona da mata e norte de minas. E parte paulista, principalmente sul de Minas e triângulo.

Discordo que as médias de público são semelhantes entre estadual e nacional. No caso do Galo, as médias em nacionais são bem superiores. Até as sempre perseguidas marias azuis, eternas vítimas da imprensa/judiciário/arbitragem/Corte de Haia, que dão traço no estádio nos nacionais, dão negativo nos estaduais. Acho que essa tese não se sustenta.

09 março, 2007 12:38  
Anonymous Edmar said...

Em tempo:

Eu gosto do Mineiro, mas inverter o calendário, aumentando sua duração e reduzindo a do nacional é demais para o meu colesterol.

09 março, 2007 13:27  
Anonymous Cabral said...

Sanchotene,
Continuo não vendo desrespeito nos 70 e lá vai a poucos. Como disse ao microfone o vocalista de uma banda de axé diante de reclamações da imprensa alegando que ele incitava confusão no carnaval tocando músicas muito aceleradas: "Se não güenta (sic), pra que veio?"

09 março, 2007 18:37  
Anonymous JS said...

Só pra regstrar: no último clássico, as cocotas ficaram no chiqueirinho do América. Coisa de 7 mil pomponetes, como elas se intitulam, no máximo.

E no interior, o contingente de cocotas é inferior ao de flamenguistas.

Quanto ao aumento da torcida, Sancho, tem que ver, obviamente, com o Mineirão, com o título brasileiro de 1966, com a Academia Celeste, com Tostão, Dirceu Lopes etc.


Agora, se título protestado em cartório aumentasse torcida, aí as cocotas já teriam deixado SCCP e Fla comendo poeira.

10 março, 2007 01:34  
Anonymous Edmar said...

hahahaha... comemora mesmo, é raridade um clássico com mais marias, embora nunca na proporção que tuas vistas cansadas enxergam.

Já o placar não foi nenhuma novidade, é o maior freguês do país.

Sancho, não liga, se os fatos contrariam as teorias santânicas, pior para os fatos, como sempre.

10 março, 2007 09:24  
Anonymous Artur said...

Ô, Sancho, mudando de pau pra cacete, você notou que Olavo tem expurgado do MSM os liberais, tipo Janer Cristaldo e Rodrigo Constantino? Tudo bem, cada macaco no seu galho, mas sempre achei estranho o convívio pacífico entre liberais e olavista, a começar que Olavo de Carvalho é um gnóstico, advogado da Nova República de Platão, baseado na Razão, na Sabedoria e no Amor. Bem, um dia, essa aliança iria explodir.

10 março, 2007 15:59  
Anonymous Edmar said...

Artur e Sancho,

Eu estava mexendo nos links associados do Tiefschwarz outro dia, e acompanhei a polêmica dos dois (Olavito X Rodericus), até comentei sobre isso com o Sancho. Discordo de muita coisa do Olavo, mas tenho que admitir que quando ele pega um para Cristo é bem divertido.

Mas o Constantino agora se superou: mandou o Olavo vir de turma, já que deu umas bordoadas no Nivaldo Cordeiro também. Só quero ver o que vai rolar agora...

Abs.

11 março, 2007 14:37  
Blogger San Tell d'Euskadi said...

Edmar,

A resposta que o assunto merece sobre o Olavo, sobre o Rodrigo, sobre o Nivaldo, etc, é matéria de artigo. Pretendo postar um sobre o assunto ainda nesta semana.

12 março, 2007 13:26  
Anonymous JS said...

Time de um só título, a Cocota comemora feito copa do mundo uma vitória sobre o Cruzeiro. Pena que sua definhante torcida - a 13ª do país -, acovardada, não tenha aparecido no estádio para acompanhar o feito histórico.

Ok, o ingresso não sendo pago pelo patrocinador, fica mesmo difícil.

17 março, 2007 09:38  
Anonymous Edmar said...

Putz, piadas antigas com girias dos anos 70/80 como se fossem grandes novidades. O Chacrinha é quem estava certo...

19 março, 2007 10:17  

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