domingo, setembro 23, 2007

Afinal, o que é esse tal de rúgbi?!

Jorge Santana, do Páginas Heróicas Digitais, talvez desanimado com o fato de que o seu Cruzeiro não alcançará o São Paulo, rendeu-se à Copa do Mundo de Rúgbi e trouxe uma entrevista sobre o jogo com a filósofa francesa Catherine Kintzler, publicada no La Nación de Buenos Aires. Pediu-me para comentar sobre a matéria e sobre o jogo, atendo-o agora.

Tirando a tentativa dela de unir suas paixões, rúgbi e filosofia, algo natural em qualquer ser humano, mas de resultados altamente duvidosos, a entrevista traz alguns pontos interessantes, principalmente nalgumas questões essenciais do jogo de rúgbi em particular. Eis alguns trechos:

I. Sobre como se dá o jogo

"[E]l rugby [...] pone en juego todos los aspectos del cuerpo, todo el cuerpo, la habilidad, la fuerza, el combate y la fraternidad. En términos más precisos, el rugby es una actividad dialéctica en la que se debe conciliar lo contrario y a los contrarios. Los movimientos son contrarios entre sí (por ejemplo, hay que retroceder para poder avanzar, las manos para atrás y los pies para adelante, etc.) y la pelota es a la vez aquello que se debe tener más cerca y más lejos, lo que hay que guardar pegado al cuerpo en el aire y soltar inmediatamente al caer en un tackle."


Traduzindo. O jogo de rúgbi é um jogo de território. Cada time só pode jogar do seu lado do campo e o que delimita o campo de jogo para cada equipe é o posicionamento da bola. Assim, a regra-chave para o desenrolar de uma partida é a regra de impedimento.

Para enteder, peguemos o futebol como exemplo. A regra de impedimento no futebol possui três parâmetros: o primeiro é a linha central do campo - nenhum jogador está impedido de jogar se estiver no seu lado do campo; o segundo é o penúltimo defensor em relação à linha-de-fundo - nenhum jogador está impedido de jogar se entre ele e a linha-de-fundo ofensiva houver dois ou mais adversários; e, por fim, o terceiro é a bola - nenhum jogador está impedido de jogar se estiver atrás da linha da bola. A única exceção é o lance com a mão, pois não há impedimento logo após um arremesso lateral.

No rúgbi, só há um parâmetro: a bola. O jogador só está apto a jogar se estiver atrás da linha da bola. É por isso que um time só pode avançar quando um jogador tiver sua efetiva posse! Caso contrário, só poderá mover a bola dentro do seu próprio campo, com arremessos para o lado ou para trás. É isso o que a entrevistada quis dizer com "manter a bola mais próxima e mais distante" e "retroceder para avançar". A única exceção é o lance com o pé, quando a equipe que tiver a bola pode lançá-la ao campo adversário (mas o impedimento mantém-se).

O jogo tem que ter continuidade. Por isso, surge outra regra importante, citada pela entrevistada. O jogador que recebeu um calço (tackle) e caiu deve imediatamente liberar a bola. É nesse momento que os adversários têm a chance de recuperá-la. Contudo, por força da primeira regra, eles só podem fazê-lo do seu próprio campo, ou seja, por sobre o adversário caído. Costumeiramente, os jogadores do time que está com a bola procuram evitar perdê-la. É nessa hora que a formação-fixa ou ruck acontece: jogadores de ambas equipes embolam-se sobre o jogador caído. É também a oportunidade do time atacante tentar mais uma jogada objetivando carregar a bola até a linha-de-fundo adversária - para um ensaio ou try (5 pontos) - ou chutá-la entre as traves superiores - para um gol (3 pontos).

Creio que o espírito do jogo está bem explicado para os neófitos.

Contudo, ela fala sobre a relação entre o esporte e a violência; o que vale a pena ser debatido. Segue abaixo.